terça-feira, 12 de junho de 2018

QUADRINHOS PERIGOSOS


Muita gente tem uma  certa aversão a Histórias em Quadrinhos, hoje em dia. E sabe por quê? Foram contaminados, geração após geração, por celebridades que em outros tempos influenciavam as pessoas com argumentos anti-quadrinhos envolvendo interesses nefastos de quem visa o atraso da capacidade humana para que assim a sociedade possa ser melhor manipulada. Afinal, a leitura vai abrir horizontes, trazer pensamentos e idéias novas que ISTO SIM seria perigoso para o sistemão. 


No início da década de 50, o psicólogo alemão naturalizado norte-americano Fredrick Werthan publicou uma obra que teve grande influencia sobre o futuro das histórias em quadrinhos. O Livro Sedução de Inocentes acusava os gibis de provocarem preguiça mental e delinqüência juvenil. Para Werthan, as crianças que liam quadrinhos se tornariam marginais e perderiam completamente o gosto pela leitura.
A campanha de Werthan contra os quadrinhos teve início em 1948, com a publicação do artigo Horror in The Nursey na revista Collier. Como resultado direto do artigo, houve uma queima pública de quadrinhos na cidade de Birghnton, Nova York.



Depois disso os jornais e revistas começaram a publicar crimes juvenis inspirados por revistas em quadrinhos. As crianças logo aprenderam que uma maneira fácil de se eximir da responsabilidade por seus atos era colocar a culpa nos gibis.
Hoje em dia as pesquisas de Werthan são motivo de piada nos meios científicos, mas tiveram grande repercussão, criando um preconceito contra essa mídia que existe até hoje.


No Brasil não foi diferente. Você sabia que gente como a poetisa Cecília Meirelles e o compositor Ary Barosso eram inimigos declarados das histórias em quadrinhos, taxando como "subliteratura infantil"? E que por outro lado, o escritor Jorge Amado e o jornalista e escritor Nelson Rodrigues eram ferrenhos defensores do gênero? Essa e outras (boas) histórias estão no livro "Guerra dos Gibis", do jornalista Gonçalo Junior. A leitura faz até termos raiva de certos famosos. O livro ainda conta com o Adolfo Aizen, fundador da Ebal, o qual tomou para si a missão de defender o gênero diante da perseguição promovida por certas personalidades com viés moralista, mas que tinham fins políticos por baixo dos panos.



Pois bem: existem quadrinhos bons e quadrinhos ruins. Assim como existem livros bons e ruins. O que não se pode é generalizar todo um segmento que proporciona o interesse pela leitura da mais tenra infância até adultos que ainda não são leitores costumazes. Um cidadão que lê com frequência, tem mais condições de pensar por si mesmo e deixar de ser conduzido pela lavagem cerebral da mídia. A revista CARTUM está aí a 17 anos, possibilitando momentos gratuitos de boa leitura!!  

BORA LER QUADRINHOS!!

Obs: Informações sobre o livro "A Guerra dos Gibis" obtidas de postagem do Clayton Godinho no grupo do facebook "Quadrinhólatras". 
Informações sobre o livro "Sedução de Inocentes" obtidas através de postagem do Gian Danton, também no Facebook.

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