Por: ALDO MAES DOS ANJOS (Autor da Revista CARTUM).
Muitos leitores
invariavelmente me fazem a mesma pergunta: DA ONDE VEM TANTA IDEIA para
escrever as historinhas? De tanto responder a esta questão, acabei
desenvolvendo um "modus operandi"
particular de produção dos roteiros dos quadrinhos, o qual tive a “inspiração”
de colocar no papel para transmitir aos interessados, o qual faço uso há mais
de duas décadas.
PRIMEIRAS
PROVIDÊNCIAS
Quando se planeja produzir um
roteiro, seja para quadrinhos, teatro, cinema, redação, etc., os detalhes mais
importantes a serem definidos são, nesta ordem:
1) Qual vai ser o gênero de literatura (romance,
aventura, suspense, policial, comédia, terror, ficção, etc.);
2) Qual vai ser o tipo de narrativa (diálogo ou
monólogo, com texto ou muda, se é na 1ª pessoa ou na 3ª, etc.);
3) Assunto abordado (alguns temas merecem uma
pesquisa física ou virtual para anotação de informações que venham a enriquecer
o conteúdo deste texto);
4) Detalhes importantes (é importante relacionar
todos os detalhes importantes que não podem passar despercebidos, para que a
cena seja melhor interpretada. Ex: se é calor ou frio, se é dia ou noite, para
que tal detalhe seja representado de alguma maneira visível no texto e também
no desenho);
5) Quais personagens vão participar da história
e suas respectivas características e graus de importância no contexto do
roteiro.
E
AGORA?
Definidos os quesitos básicos
acima, vem à mente a terrível batalha que se trava entre a caneta e o papel em
branco: e agora? De onde vêm as ideias? O momento da concepção imaginária de um
texto é um instante mágico em que entramos em contato com uma fonte criativa
inesgotável. Quando selecionamos os itens descritos acima, estamos sintonizando uma rádio na frequência da estação que se quer
ouvir. Sintonizamos nossa mente no canal da criação.Definidas as primeiras
providências, o passo seguinte é aquietar a mente, sossegar o facho, calar a
voz que resmunga o tempo todo na nossa cachopa: o insuportável “eu mesmo”.
Não
é tarefa das mais fáceis, tem que desenvolver alguma técnica. Eu sugiro, por exemplo, a
respiração profunda, com os olhos fechados, observando os pensamentos sem
remorso, mas não desenvolvendo nenhum deles racionalmente. Apenas existindo por
alguns momentos, relaxando o raciocínio. Enquanto aspira profundamente o ar,
sinta que uma ideia criativa desconhecida está entrando pelas narinas, assim
como o oxigênio renova o interior dos pulmões. Quando soltar o ar (lentamente), elimine
junto tudo o que pode bloquear sua inspiração: os medos, as mágoas, as chateações, os
sentimentos ruins... tudo saindo pelas ventas, junto com o bafo quente que a
gente não precisa mais.
Depois de algum tempo de
persistência, quando sentir sua mente harmonizada e tranquila, separe uma folha
para rascunho (no caderno ou no Word), e coloque todas as ideias que vierem à mente. Pode
riscar, rasurar, reescrever e amassar a folha, se for preciso, para começar de
novo.
(continua...)